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Juiz Dredd: Origens – Direto da Estante #1

“Uma encomenda incomum é  entregue no Supremo Tribunal de Justiça, um pacote que forçará Dredd a liderar uma missão dentro da Terra Maldita e penetrar nos mais sombrios recônditos da história dos juízes de Mega-City Um.”

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Juíz Dredd: Origens” (capa-dura, 196 páginas, R$ 69,90) é uma grata surpresa para quem quer conhecer um pouco mais da história não só de Dredd, mas dos juízes e do sistema de justiça de Mega-City Um em si.

Através de uma jornada épica, os criadores do personagem, John Wagner e Carlos Ezquerra, nos levam de volta no tempo de uma maneira incrivelmente fluida.

Ao invés da história tomar lugar no passado, é o próprio Dredd no presente, quem nos narra os acontecimentos que levaram a derrocada do sistema tradicional de justiça e a ascensão dos juízes, enquanto parte com um grupo de juízes para a terra maldita.

Juíz Dredd: Origens” é praticamente uma road story, daquelas bem violentas, cheia de seres bizarros e reviravoltas.

Tá tudo aqui, e extremamente mastigado. Somos apresentados as origens do criador da justiça imediata, além do que aconteceu para a terra maldita ser do jeito que é, e até a história do próprio Dredd. As curiosidades são entregues uma atrás da outra.

Por fim a história ainda nos leva a questionar (não só o leitor, mas o próprio Dredd) se o sistema extremamente fascista que é a justiça imediata é realmente o menor dos males em um mundo onde a violência parece fazer parte da natureza humana.

O conto introdutório é desenhado por Kev Walker, e mostra como a encomenda que funciona como um gatilho para dar início à jornada chega até o Supremo Tribunal de Justiça. Os desenhos lembram um pouco o traço do criador do HellboyMike Mignola e combinam muito com o clima de conspiração do início do quadrinho.

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A segunda parte, é desenhada por Ezquerra, que está demais. O único ponto negativo é o colorido digital, que parece querer dar uma realidade de textura desnecessária ao belo traço do Ezquerra.

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Em “Juíz Dredd: Origens”  a Editora Mythos fez um trabalho competente, em uma edição que além da história, conta ainda com alguns esboços do Ezquerra. Esse quadrinho dá orgulho de ver na estante.

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E você, o que achou?

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A incrível história de Bill Gaines – Como um editor de quadrinhos abalou um país

Trangressores, inovadores, gênios. Existem muitos termos que podem dar nome a pessoas que quebram o Status Quo, que vão na contramão e sem perceber, acabam influenciando não só o meio em que atuam, mas todo o resto. Essas pessoas existem em todas as áreas e os quadrinhos não são uma exceção.

Nesse caso estou falando particularmente de uma pessoa: Bill Gaines (William M Gaines), um gênio que você pode até não conhecer, mas que abalou os Estados Unidos na década de 50.

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Bill Gaines

Nascido em 1922, Bill era filho de ninguém menos que Max Gaines, editor e fundador da famosa All-American Comics, na época lar de personagens como:Lanterna Verde, Gavião Negro, Flash e a revolucionária Mulher Maravilha.

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Publicação da extinta All-American Comics

Sim, parecia que o sucesso já estava encaminhado para Bill, mas se fosse tão fácil assim a vida dele não seria incrível não é verdade?

Mesmo com o sucesso de seus personagens, Max Gaines o pai de Bill vendeu sua parte na editora para a DC Comics e fundou uma outra editora, para tentar um outro nicho: os quadrinhos educativos/bíblicos para crianças. Max abriu então a editora conhecida como EC (Educational Comics).

Enquanto seu pai dava início a essa nova editora, Bill não tinha nenhum apreço, vocação ou qualquer ligação com os quadrinhos, seu sonho era ser professor de química, o que causava um certo desgosto em seu pai, que achava que Bill não seria bom em nada.

Foi então que aconteceu a primeira reviravolta: seu pai morreu em um acidente, deixando tudo para ele.

Convencido pela sua mãe, Bill assumiu a direção da editora EC, mas sua primeira grande decisão foi mudar o nome. A EC não seria mais Educational Comics e passaria a ser Entertaining Comics e agora publicaria quadrinhos de guerra, crime e faroeste. Aos poucos a lenda tomava forma.

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Logo EC Comics

Apesar de não ser oriundo dos quadrinhos, Bill aos poucos foi pegando o jeito na administração da editora, mas as vendas nunca foram fantásticas. Por isso ele resolveu que se fosse pra continuar com as vendas baixas, ele ia ao menos publicar o que ele realmente gostava e junto com seu editor e desenhista Al Feldstein, começaram a publicar quadrinhos de terror, isso mesmo. Tanto Al quanto Bill adoravam os shows de horror que passavam nas rádios e acharam que aquilo daria um ótimo material em quadrinhos. E realmente deu.

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Bill e Al ao lado das publicações

Foi assim que eles publicaram quadrinhos como: Tales From the Crypt, (Contos da Cripta), Vault of HorrorThe Haunt of Fear e muitos outros. Chegando cada um a vender incríveis 250.000 cópias por edição. Logo todo o mercado estava imitando a EC Comics.

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Publicações da EC Comics

Mas com o sucesso, sempre vêm a perseguição. Isso foi o estopim para o início de uma era contra os quadrinhos, iniciada pela publicação do livro “A Sedução Do Inocente” escrito pelo psiquiatra Fredric Wertham, que apontava os quadrinhos como o principal causador da delinqüência juvenil.

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Fredric Wertham e a capa do seu livro

A perseguição foi longe e chegou até uma investigação do senado americano. Onde a única pessoa a defender os quadrinhos foi o próprio Bill Gaines.

Agora os Estados Unidos tinham um nome, e um rosto para perseguir.

Bill Gaines virou o inimigo número um dos Estados Unidos.

Ele foi massacrado pela opinião pública, suas vendas despencaram e culminou na criação do Comic Codes Authority, um órgão de auto-regulamentação de quadrinhos que assombrou as publicações americana por anos e imediatamente proibiu toda e qualquer publicação que entre outras coisas tivessem terror, violência e talvez não por coincidência, os nomes que continham nas principais revistas que Bill publicava como: Crime, Horror, Weird.

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Selo Comic Codes Authority

Mesmo assim Bill não se deixou abater e mudou todo seu esquema de produção para se adequar ao código, até que inevitavelmente, como um homem afrente do seu tempo ele não agüentou mais a censura que sofria, sendo a gota d’água a proibição de uma publicação onde ele enaltecia a tolerância racial, com um astronauta negro em plena década de 50. A publicação foi proibida. Bill não acatou, publicou a edição mesmo assim e posteriormente descontinuou todas as suas revistas, com exceção de uma: a revista MAD. Pois é, a famosa revista MAD foi criada na editora de Bill Gaines e até hoje é publicada, sendo uma das revistas mais famosas de todo o mundo.

foto8Revista MAD

Além disso, numa época onde ninguém valorizava os seus desenhistas, Bill fazia questão que eles assinassem as próprias obras, usassem os próprios traços e ainda colocava as biografias dos artistas da EC Comics nas publicações.

Bill Gaines influenciou, não só quadrinistas, mas cineastas, roteiristas, e toda uma gama de artista que se inspirou em obras publicadas por ele, como: John Carpenter, Stephen King, Robert Zemeckis, e muitos outros.

Bill Gaines morreu em 1992 como um homem que mudou pra sempre a história dos quadrinhos americanos. Um homem com uma vida inspiradora, de luta contra o Status Quo não só dos quadrinhos, mas de toda sociedade americana.

Essa sem dúvida é uma daquelas histórias que nos inspiram a fazer o nosso melhor sempre.

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Bill Gaines

Quer saber mais? Sabe inglês? Então dá uma olhada nos Filmes abaixo.

Tales From the Crypt – From Comic Books to Television

httpv://www.youtube.com/watch?v=nRUAf5KmcwE

The Story of EC Comics

httpv://www.youtube.com/watch?v=ZYx-JCAc-ko

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Dicas de quadrinhos – Mangás

Salve Umbigueiros, tá na hora de mais algumas dicas de leitura. Dessa vez vou entrar em um terreno que eu sinto que sofre algum preconceito tanto por parte de quem não lê, quanto por parte de quem até curte quadrinhos: são os mangás.

Ao ouvir a palavra mangá, as pessoas erroneamente tendem a associar a algo bobinho, mas como todo tipo de conteúdo produzido em massa, realmente tem muita coisa tosca sendo produzida, mas ao mesmo tempo tem obras de grande qualidade também.

As dicas hoje são de obras com bastante drama humano, suspense e uma construção narrativa de colocar inveja em qualquer meio.

Monster

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Escrito e desenhado por Naoki Urasawa, conhecido já por muitos como o mestre do suspense (Hitchcock está para o cinema, como Naoki está para os mangás?) Publicado atualmente pela Panini, a história se passa na Alemanha e começa quando um neurocirurgião japonês consagrado têm de fazer uma escolha moral incomum: salvar um político famoso, ou um pobre menino. A partir daí a trama se desenvolve cheia de intriga, assassinatos e uma história de tirar o fôlego, onde uma escolha moralmente correta, pode acarretar em muitos problemas, quando o neurocirurgião descobre que talvez o menino que ele salvou, seja o próprio anticristo.

20th Century Boys

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Mais um mangá escrito pelo Naoki Urasawa, mais uma vez um suspense que não deixa o leitor desgrudar os olhos. Aqui o autor mistura elementos de ficção científica, música, política e nos leva durante a história para momentos no futuro, passado e presente dos personagens. A história se desenvolve a partir de um grupo de garotos que na infância brincavam de salvar o mundo, para isso eles criaram um grupo que ameaçaria a terra, com direito a ataques terroristas de escala global. Depois de crescidos, enquanto levam suas vidinhas pacatas eles vêem os mesmos ataques sendo executados do jeito que eles haviam planejado, e agora só eles podem salvar o mundo antes que seja tarde demais. Uma série complexa e brilhante, vale muito a leitura.

Gen – Pés Descalços

gen

Um clássico atemporal que mostra o drama sofrido pelos japoneses depois que a bomba atômica foi jogada em Hiroshima. Sério, não tem como ficar indiferente com essa história. É inacreditável a emoção que o autor Keiji Nakazawa consegue passar ao longo da série, onde a bomba foi só o início de uma vida de luta e sofrimento para o menino Gen e o que sobrou da sua família.

Se interessou? Têm mais dicas de mangás legais? Fala pra gente.

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